terça-feira, 8 de setembro de 2015

DERRAME PERICARDICO



O Derrame pericárdico
Um achado frequente que ocorre em decorrência de doença pericárdica primária ou relacionado a uma variedade de processos de doenças sistêmicas. A importância dos derrames se baseia em sua relação com um estado patológico subjacente e em seu potencial de afetar a hemodinâmica do paciente.

Epidemiologia

Dados da coorte de Framingham sugerem que o derrame pericárdico possa estar presente em até 6.5% da população adulta. Na coorte de Framingham, a incidência aumentou com a idade, e somente 1.2% dos pacientes <50 anos apresentaram derrame detectado no ecocardiograma. A maioria dos indivíduos com derrame não apresentou doença cardíaca reconhecível. De uma maneira geral, a incidência de mais de um pequeno derrame pleural é muito baixa. 

Anatomia e fisiologia pericárdicas 

O pericárdio normal consiste em 2 camadas, visceral e parietal, separadas por 15 a 35 mL de líquido. O líquido pericárdico normal é um ultrafiltrado de plasma que, caracteristicamente, tem uma concentração proteica baixa e baixa densidade específica.  O pericárdio parietal é uma estrutura fibrosa inelástica que consiste basicamente em colágeno, de onde emergem os grandes vasos e várias outras estruturas torácicas para proporcionar estabilidade ao coração. Ele também age como uma barreira a infecções.
As propriedades semirrígidas do pericárdio servem como um limite ao enchimento cardíaco e promovem a interdependência ventricular. Em condições normais, existe um volume pericárdico de reserva para acomodar alterações fisiológicas em condições de enchimento ventricular. Entretanto, se esse volume de reserva for ultrapassado, a pressão pericárdica aumentará rapidamente e limitará significativamente o enchimento cardíaco. O pericárdico relativamente inelástico é capaz de crescer em condições de estresse crônico, como na dilatação ventricular esquerda, ou em um derrame pericárdico de acúmulo lento, embora, uma vez que a relação pressão pericárdica-volume atinge seu estágio não complacente, a expansão é limitada e pequenos aumentos no volume produzem uma dramática elevação da pressão pericárdica, prejudicando intensamente o enchimento ventricular.
Constrição pericárdica
O derrame pericárdico crônico pode compartilhar sintomas e sinais clínicos similares com constrição pericárdica. As 2 doenças podem coexistir, ou a constrição pode se desenvolver como uma consequência tardia da etiologia subjacente do derrame pericárdico, particularmente depois de pericardite tuberculosa ou cirurgia cardíaca. A diferenciação dessas 2 doenças pode ser difícil e exige técnicas de imagem avançadas.

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